Em outubro de 2026 o Google deixou claro que o Googlebot precisa seguir cada redirecionamento da home até a página que declara o favicon. Um passo quebrado basta para aparecer o globo cinza. E mais: os formatos aceitos e a regra de um ícone por hostname.
Em 27 de outubro de 2026, o Google reescreveu uma linha da documentação de favicon. Não basta mais o Googlebot rastrear a home: ele precisa conseguir seguir cada redirecionamento que sai dela até a página onde o ícone está declarado, e nenhuma URL desse caminho pode estar bloqueada. Se a home do seu cliente manda o visitante para outro endereço antes de mostrar qualquer coisa, é ali que o globo cinza no lugar do logo costuma nascer. O Google chamou a mudança de esclarecimento, e ela nem entrou no registro de atualizações da documentação.
Por que o redirecionamento da home decide o favicon
Porque o Google procura o ícone num lugar só: a home do hostname. O robô abre a raiz, vai para onde ela mandar e lê a tag link no cabeçalho da página onde chegou. Se um elo dessa corrente falha, a tag nunca é lida, e o resultado mostra o ícone genérico.
Alguns desenhos de site quebram essa corrente com frequência:
Home que escolhe o idioma pelo navegador, por cookie ou pela localização e redireciona para /pt-br/ ou /en/. O caminho que o robô percorre pode não ser o mesmo do visitante.
Home que leva primeiro para uma tela de login, de confirmação de idade ou de consentimento.
Pasta de destino, ou a pasta onde mora o arquivo do ícone, bloqueada no robots.txt. Acontece com /assets/ e /static/ em sites que fecharam essas pastas anos atrás e esqueceram.
Nenhum desses casos é raro em site de agência. O primeiro, em especial, aparece em quase toda loja que vende para mais de um país.
As outras regras que tiram o ícone do resultado
O redirecionamento é a novidade, mas está longe de ser a única condição. Pela documentação do Google, conferida em 2 de novembro de 2026:
O arquivo precisa ser quadrado, com pelo menos 8x8 pixels. A recomendação é passar de 48x48, para o ícone ficar nítido em telas diferentes.
Os formatos listados são BMP, GIF, ICO, PNG, JPEG, PPM e TIFF.
O Googlebot-Image tem de rastrear o arquivo; o Googlebot, a home. O arquivo pode ficar numa CDN, fora do domínio.
A tag vai no cabeçalho da home, com rel igual a icon, shortcut icon, apple-touch-icon ou apple-touch-icon-precomposed.
O endereço do arquivo deve ficar estável. Trocar o nome a cada deploy atrapalha.
Repare no que falta naquela lista de formatos: SVG. Muito site novo declara só um ícone vetorial, que fica nítido em qualquer tamanho e funciona bem no navegador. Na Busca, pela lista publicada, esse arquivo não tem garantia de ser aceito. Uma segunda tag apontando para um PNG quadrado de 48x48 ou maior resolve, e o SVG pode continuar onde está.
Um favicon por hostname: o que isso muda em site com idiomas
O Google aceita um ícone por hostname. Subdomínio conta como hostname à parte, então loja.cliente.com.br pode ter o seu. Subpasta, não: cliente.com.br/es/ herda o da home. Quem quer ícone diferente por país ou por marca precisa de subdomínio.
Pela mesma regra, www.cliente.com.br e cliente.com.br são hostnames diferentes. Quando a versão sem www redireciona para a com www, a corrente que o Google precisa seguir começa um passo antes, e o redirecionamento de protocolo, de http para https, também entra na conta. Cada salto é um lugar a mais onde uma regra de firewall, um robots.txt antigo ou uma tela intermediária podem barrar o robô.
A regra conversa com o redirecionamento. Num site que manda a raiz para uma pasta de idioma, vale a tag da página onde a corrente termina para o robô. E o próprio Google diz que os endereços IP do Googlebot parecem estar nos Estados Unidos. Se cada versão de idioma declara um arquivo diferente, o ícone do resultado tende a ser o da versão que um visitante americano receberia.
Quanto tempo o ícone corrigido leva para aparecer?
De alguns dias a algumas semanas, segundo o Google, porque a home precisa ser rastreada e processada de novo. Pedir a indexação da home pela Inspeção de URL do Search Console adianta a fila. Mesmo com tudo em ordem, o Google não promete exibir o favicon: cumprir as regras é condição, não garantia.
Na prática, isso muda a conversa com o cliente. Ícone trocado na sexta ainda não tem motivo para estar no resultado na segunda, e cobrar antes disso só gera chamado.
O que conferir na segunda-feira
Rode curl -sIL https://dominio-do-cliente/ no terminal e anote cada 301, 302, 307 ou 308 até o 200 final. A última URL é onde a tag do favicon precisa estar.
Abra o código-fonte dessa página com Ctrl+U, e não pelo inspetor, e procure rel="icon". O Google não documenta se aceita tag inserida por JavaScript; com a tag no HTML servido, a dúvida some.
Teste a home e cada URL do caminho na Inspeção de URL. Depois, confira no relatório de robots.txt do Search Console se a pasta do arquivo está liberada.
Veja formato e tamanho: se o site só tem SVG, acrescente um PNG quadrado de 48x48 ou maior.
Se mudou alguma coisa, peça a indexação da home e anote a data. Volte a olhar o resultado depois de algumas semanas.